Definitivamente, uma profissão para a qual eu teria de me esforçar muito para desempenhar bem seria a de vendedor. E no mundo dos negócios isso é uma deficiência terrível, pois quem não sabe vender não ganha dinheiro.
De vez em quando eu recebo mensagens de pessoas querendo assinar a PortoFácil. Umas poucas vêm por encontrar este site no Google ou outra ferramenta de busca, e a maioria vem por indicações de clientes (afinal, só assim para entrar para a PortoFácil mesmo) ou por lerem o que eu publico em meus outros blogs.
Uma moça indicada por um cliente queria começar um blog do zero, mas não entendia nada de nada, apesar de ter feito um curso e nunca usado os conhecimentos. Com o coração apertado eu tive de dizer a ela que não daria, pois a PortoFácil não seria a hospedagem de que ela precisa, por causa do nosso suporte especializado, no sentido específico do termo: não estamos aqui para ensinar ninguém a fazer FTP.
Um outro rapaz queria que eu o convencesse de que a PortoFácil era a melhor opção para ele, haja vista não haver telefone de contato do helpdesk em lugar algum do site. Tive de dizer, também, para ele procurar a concorrência porque aqui ele não encontraria o que ele procura.
Se eu fosse um bom vendedor poderia muito bem ter dito a ele que o suporte quem dá sou eu próprio, o dono da empresa e o administrador dos servidores; que por eu próprio ser blogueiro, e ganhar dinheiro com blogs, posso entender e atender uma necessidade muito melhor do que qualquer estagiário de 0800 que só sabe seguir scripts prontos. Poderia ter dito a ele que fizesse contato com alguns dos meus clientes, e perguntasse o que eles pensam do meu serviço de hospedagem, ou poderia ter oferecido o primeiro mês grátis — como faço sempre com todos os novos clientes — para ele experimentar o serviço, e só ficar se gostasse.
Mas não dá. Se eu sinto que não vou poder oferecer o que a pessoa quer, eu prefiro nem criar expectativas, para não ter de encarar o sentimento de frustração depois.
E é justamente um grande sentimento de frustração que está me inspirando a escrever este texto: como creio que as pessoas saibam, pelo menos não é segredo algum, os meus sites pessoais estão hospedados na DreamHost, e isto por dois motivos. Primeiro, porque eu assinei a DH antes de ter a PortoFácil, para rodar um projeto antigo que já nem existe mais (um site de pessoas sem roupa tendo intimidades libidinosas), e tinha recurso sobrando; segundo, porque sempre quis deixar os servidores da PortoFácil o mais livres possível para os clientes, já que são eles quem pagam e sustentam a empresa.
De maneira geral, exceto pelo fato de os meus blogs carregarem bem mais lentos que os dos meus clientes, a DH funciona.
Porém, nesta madrugada eles simplesmente deixaram milhares de clientes na mão. Ou talvez centenas, não sei, mas o que importa é que eu estou com meus sites offline. Estão fazendo uma migração de um cluster, seja lá o que isso implique, e já há umas 15h consecutivas que todo mundo que tem site hospedado nas máquinas atingidas estão chiando mais do que sonrisal. Em vão, claro.
Num artigo que escrevi para o Meio Bit (Economize banda com o .htaccess) um cara disse que ao invés de a Lu se preocupar com o consumo de banda ela deveria era contratar uma “hospedagem decente”, entre as quais ele sugere a DreamHost. Ora, o site da Lu, hospedado na PortoFácil, está chutando bundas, e os meus, hospedados na DH, estão offline. Qual das duas é uma hospedagem decente?
Na próxima semana faremos um upgrade em nossos servidores, triplicando nossa capacidade de atendimento. Não vamos abrir as portas para qualquer um entrar, pois isso implicaria uma mudança muito radical no modelo de Negócios da PortoFácil, mas certamente vou parar de sofrer, e transferir meus sites para cá também. É o mínimo que eu mereço por manter tudo funcionando para os meus clientes, um espaço estável e confortável para os meus blogs funcionarem também.

O cara que falou aquela asneira é um babaca. Não sabe da missa um terço. Imagina se eu daria acesso total e irrestrito a algum robô da DH pra lidar com eventuais imprevistos no diadefolga durante minha viagem?
Que estranho. Os blogs que tenho na Dreamhost estavam muito bem nos últimos dias, exceto por um pequena lentidão durante o início da tarde de hoje.
Janio,
por que sempre que falamos mal de algum provedor de hospedagem, alguém sempre aparece para defendê-la?
Eu sofro do mesmo mal. Logo que migrei para o BlueHost percebi na enrascada em que me meti… e disse isso para todo mundo em meu blog. Lá o uptime é ridículo.
abraço
Opa Jânio!
Em 2007 a Dreamhost esteve muito instável… por outro lado eles sempre mantém as coisas bem as claras… e eu estive para sair dela em outubro do ano passado…
Mas o preço deles não tem competição com os host nacionais…Posso dizer, basicamente que é de graça!
Agora, eu digo isso pois meus blogues são amadores… no dia que eu me embrenhar em algo mais profissional (e eu tenho planos!) eu irei procurar algum host nacional… (PortoFacil ou Vilago!) por dois motivos principais:
1 – Gerar renda aqui no Brasil.
2 – Ter uma relacionamento profissional mais estreito com o fornecedor da infra-estrutura.
Infelizmente uma parte do preço é por conta da brutal carga tributária
[]’s
Sérgio, bom te ver por aqui.
A carga tributária é realmente uma grande vilã dos preços, mas não é a única.
Acontece que no Brasil infraestrutura custa muito caro. A solução para viabilizar um negócio de hosting acaba sendo a que o Cris Dias (Vilago) e eu, entre outros, adotamos: alugar servidores dedicados fora para poder revender serviços.
Entretanto, Sérgio, há uma diferença tremenda entre os meus serviços (e imagino que também os do Cris, pois só ouço boas referências do Vilago) e os da DreamHost: overselling.
Ano passado escrevi Hospedagem Web e Overselling no Lucrando na Rede, abordando o assunto. Essencialmente, não é bom nem mau vender recursos que o cliente nunca vai consumir, mas que tampouco o fornecedor teria como suprir em caso de real demanda. Porém, quando a soma das demandas por recursos inesgotáveis chega ao limite da capacidade de serviço do fornecedor — que está o caso da DH, segundo vejo — aí a situação começa a ficar delicada.
Contudo, Sérgio, o que mais me alegrou em revisitar aquele texto é constatar que em dez meses a quantidade de domínos servidos pela PortoFácil dobrou, e a gente passou por dois upgrades de estrutura.
Paradoxalmente eu não estou ganhando mais, mas meus clientes estão mais felizes. Assim está bom pra mim.