Apr 17 2008

Recursos infinitos por um punhado de jujubas

Arquivado em: Institucional, Revendas

O quadro é típico: blogueiros inexperientes (ou não, mas a maioria é destes) saem à cata de um host, e os critérios para escolha de sua nova “morada” acabam sendo questionáveis.

De vez em quando a gente lê por aí alguns “roteiros” ou listas de verificação para escolha de hosts, que se fossem seguidos à risca por 100% das pessoas eu estaria ferrado, jamais teria clientes.

Em primeiro lugar, a estória de que um host brasileiro tem de ter um domínio .com.br. Eu até tenho, dois para a PortoFácil (que nos primórdios se chamava PortoHost), mas o que uso, divulgo e de que gosto é mesmo o portofacil.net.

Segundo, os dados de contato nas empresas de registro: o CNPJ que detém os domínios da PortoFácil é da empresa do meu irmão, uma loja de ferragens, porque quando eu precisei registrar os domínios, e havia muita pressa disso, a minha documentação ainda não estava pronta. Agora, eu poderia transferir a titularidade de uma empresa para outras, mas considerando que não tenho filhos, e se eu morrer meu irmão é meu único herdeiro, nada mais justo que ele — pela confiança que deposito nele — mantenha o registro de meus domínios consigo. Afinal, a burocracia do Registro.BR desencoraja totalmente esse tipo de operação: é mais fácil deixar o domínio expirar do que transferir.

Terceiro, a idéia de que os servidores têm que estar no Brasil: muito poucas empresas têm condições de sustentar um datacenter no Brasil, devido ao alto custo da conectividada aqui em Terra de Vera Cruz. A maioria dos hosts faz como eu: utiliza os serviços de datacenters estrangeiros e gerencia os seus próprios servidores remotamente. E não há nenhum problema nisso: servidores bem “azeitados” funcionam que são uma beleza.

O quarto erro é optar pelo menor preço ou acreditar em ofertas incríveis, de trilhardares de gigas de banda mensal, porradas de espaço em disco infindável, a preços tão baixos quanto um sanduíche no boteco da esquina. Não existe almoço grátis no mundo dos negócios, e o mercado de hosting é competitivo e bastante difícil.

Este post na verdade originou-se de um e-mail que recebi hoje, de uma pessoa procurando um novo hospedeiro para seu site. No contato inicial ele colou o texto da página de vendas, com recursos infindáveis, entre os quais 600GB de espaço em disco e 6TB de bandwidth. Ora, a PortoFácil inteira não dispõe de todo esse espaço em disco, como alguém vai conseguir entregar tudo isso a um único cliente de hospedagem compartilhada, por um preço menor do que o de um jantar de fim de semana?

A isto dá-se o nome de overselling, que é a prática de vender mais do que aquilo que se tem realmente em estoque, ou no caso de hospedagem, mais recursos do que o que seria possível entregar.

A PortoFácil não faz overselling, embora permita que suas revendas façam.

Quando pedi à pessoa em questão que especificasse de quanto recurso precisava, obtive uma resposta que incluía o seguinte:

Segundo a [insira o nome da empresa aqui], meu site está crescendo muito e o host não tem condições de suportá-lo.

Ou seja, fica evidenciado que de pouco adianta ter um plano que diz entregar um volume absurdo de recursos, se no momento da venda, embora propagandeiem transparência, isto não fique claro.

De minha parte, como proprietário da PortoFácil, só posso sentir, a cada dia, que a decisão de não aceitar clientes sem conhecimento técnico em um nível mínimo foi a mais acertada de todas: ninguém aqui vai ser enganado, pois além de eu honrar os meus fios de bigode, só nivelo meus clientes por cima.


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2 Responses to “Recursos infinitos por um punhado de jujubas”

  1. [...] esses pontos são vitais. Eu vejo muito por aí o pessoal oferecendo, procurando e comprando “recursos infinitos por um punhado de jujubas” - hospedagens que oferecem mundos e fundos, a preço de [...]

  2. [...] é infostaclara.com, que com certeza é de algum adolescente mané que assinou algum plano “infinito” da Bluehost e agora se acha o poderoso [...]

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